Terça-feira, 17 de Maio de 2011

Cangosta do Estêvão

"...

– Ó tio Luís! – perguntou o pegureiro – Vossemecê viu aí na Agra da Cruz uma cabra?
– Não a vi, rapaz, mas ouvi-a berrar lá para o rio. Mete aí pela cangosta do Estêvão, e vai pela beira do rio abaixo que a topas lá para a Várzea das Poldras ou na Ínsua.
– Está mesmo indo... – interveio a tia Brites. – Boa hora é esta para um rapazinho se meter à cangosta do Estêvão!
– Então que tem? – Que tem?! Vai perguntá-lo à Zefa do João da Laje que ficou lá tolhida uma noite, e nunca mais teve saúde.
..."

Bom... não parece que se tivesse visto, nesta noite, a cabra nem outra coisa qualquer que levasse ninguém a tolhimento ou a cisma... que se saiba, claro! Nem tampouco se soube que tivesse vindo a caminho qualquer alma de outro mundo ou lobisomem.

Mas sei, de fonte segura, que houve gente que não se botou a caminho sem que levasse consigo um enxotador de mais encontros, assim fingido de amparador de passos.
– Para que é o marmeleiro, ó Zé?
– Ando mal dum joanete e a vara ajuda.

Parece que em surdina alguém referiu que ainda não se tinha visto que o Zé mancasse, neste trilho, entre Landim e Seide, em companhia de Camilo Castelo Branco, recordando “Novelas do Minho”, na noite de Sábado, 14 de Maio.

https://picasaweb.google.com/jlfpimentel/14DeMaiDe2011DeLandimASeide?authkey=Gv1sRgCLS24qS9yIm4Bg&feat=email#

Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010

Civilidade... à portuguesa

Hoje mesmo, no parque de estacionamento de um supermercado, assisti à cena.
Um automóvel estaciona em lugar reservado a pessoas portadoras de deficiência e, do mesmo, sai um casal com uma criança.
Um outro utente do parque interpela-os chamando a atenção para o facto de terem estacionado em lugar impróprio e mostra-lhes mesmo que poderiam ocupar um lugar muito próximo que nesse momento estava a vagar. Obteve resposta… Esta resposta… da, aparentemente, senhora:
 Olhe! Chame a polícia.
Que poderia o cidadão fazer? … Este encolheu os ombros e sorriu.
E eu, de longe, pensei nos princípios por que se hão de reger a acção e o ser dessa família e nos valores que transmitirá à criança que eu vi. E entre estes pensamentos formulei meu derradeiro desejo de Ano Novo:
Que o novo ano dê a Portugal um novo Povo.

Sábado, 9 de Outubro de 2010

Dia do Professor

Com as comemorações da Implantação da República, ainda mais este ano (o ano do Centenário), o Dia do Professor tem que se contentar com um cantinho noticioso, uma citação ou, quando muito, uma crónica em página de opinião.

Nas escolas fica meio esquecido entre o antever e o rever o Dia da República e os professores vão para casa, no dia 4 de Outubro, com a ideia de que os seus alunos poderiam ter ouvido dizer que o dia seguinte seria “Dia Mundial do Professor” e porque razão o Director-Geral da Unesco, em 1994, declarou o dia 5 de Outubro, como tributário aos professores.

Este ano, a Fenprof decidiu comemorar o dia em duas acções (Hoje, em Lisboa e no próximo sábado, no Fundão) sob o tema “Os Professores, Em defesa da Escola Pública”.

E eu, na impossibilidade de estar presente, comemorei-o à minha maneira: Corrigi alguns trabalhos, comentei textos dos meus alunos no blogue da turma e …

… ouvi música.



Sexta-feira, 9 de Abril de 2010

De facto, escrever não é um acto fácil!

Quando lemos os nossos autores de referência, aqueles a quem aderimos quase que inconscientemente e que nos emprestam as palavras que fazem nossos dias de pensar, não realizamos a busca que exerceram no seu próprio léxico para dele nos oferecer o melhor, o mais assertivo, convincente e ilustrativo.

Mas logo que desejamos ocupar o lugar de autor, nos ilibamos da responsabilidade da busca e, com um despretensiosismo assumido, vamos desculpando a preguiça em rever e repensar aquilo que arrumamos para nós, revelando pouco, raramente de qualidade significativa, mas sempre na secreta esperança de uns quantos (ou poucos) leitores chegarem às nossas palavras, para fazer brilhar a auto-estima.

Quando iniciei estes ditos & escritos, mais que sabia que um dia iria ilibar-me da pouca produção, mas há momentos em que há que escrever e que passar para os outros, sejam quem for, o que vai na alma.

Nem que seja, a confissão pura e dura de que, de facto, escrever não é um acto fácil.

Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

Resíduos!

Um destes dias dei-me conta de que o meu respeito pelo ambiente já conheceu melhores dias.
Tão simples como isto …
No habitual processo, anterior à deposição de um saquinho de lixo à minha porta, para recolha dos serviços municipais, dei-me conta de que havia elementos que, normalmente, eu segregaria e canalizaria para outro destino sem que, contudo me importasse.

O lixo foi … mas ficou um certo desconforto!
Um desconforto estranho, o desconforto de quem está habituado a cuidar, de quem diz à menina do supermercado que pode juntar vários produtos no mesmo saco, de quem usa pilhas recarregáveis e prefere embalagens de reutilização, que composta os orgânicos, que separa os vidros, os metais e plásticos e… encontra agora justificação plausível para se importar menos e menos com o seu desempenho.

Porque hei-de ser voluntarioso e pagante?
Porque hei-de pagar cada vez mais e mais taxas sobre resíduos que não produzo de forma associada a consumos que não se relacionam.
Porque vejo, sem réstias nem sinais de penalização, deposição absurda de detritos e resíduos ao longo das nossas estradas?
Porque vou depositar ao ecocentro os cartões que inevitavelmente acabo por juntar em casa e digo ao funcionário o meu nome … inconsequentemente?
Sei que a penalização pelo incumprimento, em Portugal parece ser contraproducente e fazer passar por vítima o infractor condenado e por herói o mesmo quando consegue esquivar-se.
Então… usem-se os procedimentos inversos!
Ao contrário de procurar, esperar, apanhar e castigar o infractor … estimule-se o comportamento respeitoso do ambiente e do direitos de todos a frui-lo limpo e cuidado.

Como?
Invente-se!

Usem-se as laureadas cabeças para pensar e não apenas para passear vaidades e promessas, em festas, feiras e propagandas.

Domingo, 4 de Janeiro de 2009

Grito!

Abafa-me na voz a raiva,
Dói a alma.

Mascara-se,
Por saber quem sou,
O rosto
De um sorriso que finjo,
Por amor a quem o dedico.

Mergulha
A paixão de outrora
Na mentira de quem manda.
Desespera e definha
Tristemente a razão.

Roubaram-me o gozo.
Maltratam-me o ser com mentiras.
Conspurcam o meu toque
Com arremedos de certezas.
Pintam de dúvida
Escarpas que foram alvas e serenas
E de onde
Viu mais longe
Quem as escalou.

Grito silêncios
Aos vampiros do meu ser,
Surdos e soberbos.

Levem-me o sangue
Lhes aproveite!
Morram de bêbados!!!

Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

Espertezas

Depois de apressadamente tomar o cafezinho matinal nos dos lugares habituais, saí!
De uma das mesas por que passei, chegou-me, de forma claríssima e audível:
- Mas, consegues ir buscar mais do que descontas?
- Não descontas e vais buscar!
Não ouvi mais, não esperava ouvir tanto e entenda-se que nem desejei inteirar-me completamente do assunto em questão, contudo, este breve comentário picou-me.
Fosse qual fosse o tema da conversa, está nela vincada a belíssima esperteza lusitana que usa e abusa de esquemas fraudulentos para benefício pessoal.
Já não basta reduzir a obrigação, é necessário, divulgável e socialmente admirável que a obrigação não cumprida seja considerada como havida e ressarcida com direitos majorados.
Foi num café da terra!
Os valores envolvidos seriam de pouca monta, mas, ao que me parece, esta atitude perpassa por muitas mentes brilhantes.
Atente-se às mais recentes notícias sobre altas esferas financeiras e aos tão mal disfarçados envolvimentos entre finança e política.
Assim, este país dificilmente sairá da cauda das listas das boas práticas.