quinta-feira, 8 de maio de 2008

Avenida ???

"Vai para uma temporada, encontrei, sobre as pedras de um passeio de Vila Nova de Famalicão, uma placa identificadora de rua.
Vitima de vandalismo, não caída.
Procurei o lugar de pertênça e nos cantos quebrados do acrílico azul, ainda presos ao seu suporte, ficaram as marcas de ter sido violentamente arrancada .
Criticável atitude! Ainda mais, porque ao acto, o seu autor poderá ter a veleidade de associar a sua própria liberdade de contestação política.
Muito estranho. Tão estranho como ser capaz de esquecer que as datas, e as datas significativas, deixam marcas que não se apagam pela vontade de um qualquer cretino.
Quando, pela calada da noite, se arvora em crítico político, o autor não pensa que, se o seu acto se realizasse noutra data, não se escudaria nessa liberdade.
Ou então, não teria a coragem necessária para a prática deste acto, nem de outros que, bem mais significativos e construtivos outros tiveram, quando disseram, escreveram, cantaram e manifestaram, nas praças do regime o seu descontentamento, sob pena de um dia, pela calada da noite, como o vândalo, a polícia política os arrastar para a cadeia, sem culpa formada.
Agradeça, o vândalo, a desnecessidade de coragem para o seu acto, àqueles que o seu acto contesta.
Foram estes que inventaram a data que, quer queira quer não, ficara marcada na história de um país e um povo como a sombra da placa se mantém na parede que a suportara.

Estranho é também, que hoje, dia 26 de Abril de 2006, a placa não tenha sido recolocada.
"




Quando escrevi estas linhas, fi-lo a pensar que poderiam ser publicadas. Mas não o foram, de facto. Contudo, num destes dias, em buscas pelos meandros dos meus "flop's" e "hard's", encontrei o texto que, infelizmente, continua tão actual como na altura.


Certamente que os políticos locais se passearam, na mais recente comemoração da data, de cravo em lapela, por eventos de praxe, animados por criancinhas e jovens, de quem se fala desconhecerem a data. Contudo, não passaram pela Avenida 25 de Abril, não perceberam a falta da placa identificadora da dita, não reflectiram que o seu papel de hoje deriva, em boa parte, desse dia e não reconheceram, nem reconhecem, que é a todos que cabe o papel de formar a consciência colectiva.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Mate-se o justo

A cena seria hilariante, se não revelasse um daqueles traços tão característicos da nossa lusa personalidade.
Na proximidade de uma escola secundária de Famalicão, um automóvel, estacionado a menos de cinco metros de um cruzamento, em local assinalado com um bem visível traço amarelo ao longo do passeio, impede a curva, em segurança, de um autocarro.
Quando me aproximei, vejo o condutor do autocarro sair do mesmo vestir o colete reflector (essa ainda não consegui entender, mas valerá reflexão em outro tempo) e colocar o triângulo sinalizador.
Parei, saí do carro e perguntei se tinha batido.
O condutor respondeu que não, mas não podia passar e eu – que bem vi, que com uma manobra cuidada, apoiada em alguém que orientasse (ou talvez não, os condutores dos autocarros surpreendem-me amiúde!) a viatura sairia daquela situação e a rua voltaria a permitir a circulação – no entanto sorri, entrei novamente no meu carro, fiz inversão de marcha e, a pé, fui buscar a minha filha à escola.
Voltei a passar pelo condutor do autocarro e já se ouviam algumas buzinas e palavras menos amistosas, atiradas de longe a quem, serenamente me cedeu um “obrigado”, quando, quase segredando, lhe dei os meus parabéns pela coragem.
Veio gente a propor ajuda e orientação para a manobra. Sugestões de fazer assim e assado. Críticas de não haver direito de impedir assim o trânsito. Queixas, de quem tem que ir buscar os miúdos à escola (a menos de cinquenta metros, diga-se) e tem pressa, muita pressa.
Mate-se já o condutor que não quer arriscar uma manobra e ignore-se que a via deveria estar livre para que qualquer manobra auxiliar não se fizesse necessária naquele lugar. Desculpe-se quem por desrespeitar o código da estrada e as regras da cidadania é, afinal, a entidade causadora da situação e essa sim, merecedora do nosso reparo e viva crítica.

Fica, já agora, um reparo, às entidades com responsabilidades na gestão do trânsito em Famalicão, para a quantidade abismal de situações de paragem e estacionamento irregular que se podem observar e impedem a circulação de veículos e colocam em sério risco os peões.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

o primeiro dos dias

Não é fácil dar início a nada, muito menos a um Blog.
A proposta é a de publicar algo que garalmente guardo para mim. Uma reflexão, um pensamento, um texto rabiscado.
Espero que valha a pena!
Na espere, o leitor, uma revolução literária nem a revelação de um mestre. Só de aprendiz me julgo e nada mais.